Nobilissíma Zona Norte

Neste dia, o turista será levado aos prédios que abrigaram nossos reis e imperadores e conhecerá também locais privilegiados da fé religiosa do povo carioca.

9h – Encontro no Paço da Imperial Quinta da Boa Vista, em São Cristóvão.

A Quinta da Boa Vista é um parque público administrado pela Cidade do Rio de Janeiro. Nele está situado o antigo Paço Imperial de São Cristóvão, agora convertido em Museu Nacional da UFRJ e o Jardim Zoológico do Rio de Janeiro.

A quinta pertencia ao comerciante Elias Antonio Lopes (*? †1815) que se sentiu honrado em doar à Família Real portuguesa sua propriedade quando da chegada da Corte, em 1808. O burguês portuense foi nobilitado por D. João VI com o hábito da Ordem de Cristo e outros privilégios.

A casa original foi apalacetada através de diversas reformas. A mais importante iniciou-se à época das núpcias (1817) do Príncipe Real D. Pedro de Alcantara com a Arquiduquesa Leopoldine da Áustria (1797-1826), estendendo-se até 1821. Foi encarregado do projeto o arquiteto inglês John Johnston, que, além da reforma do paço, fez instalar um portão monumental em sua entrada, presente de casamento do General Hugh Percy (1742-1817), Duque de Northumberland. O portão, inspirado no pórtico de Robert Adam para a Syon House, residência da Casa Ducal de Northumberland em Londres, é moldado em uma espécie de terracota, denominada “Coade stone”. Tombado pelo Iphan, esse portão encontra-se atualmente destacado como entrada principal do Jardim Zoológico.

O Paço Real (1808-1821), depois Paço Imperial de São Cristóvão (1822-1889) foi um dos mais importantes centros de poder do Brasil do século XIX, razão pela qual um número considerável de brasileiros considera que a Quinta da Boa Vista, residência oficial de D. João VI e D. Pedro I e local de nascimento de D. Pedro II e D. Isabel I, deveria conter objetos da Família Imperial, para que o público visitante ao Rio de Janeiro pudesse dispor dessa memória sem ir a Petrópolis, em cujo Museu Imperial se concentra a maior parte das mobílias, objetos, adereços e pertences dos príncipes brasileiros do século XIX. Há, atualmente, graças aos esforços hercúleos da direção do Museu Nacional, uma sala com objetos da antiga Família Reinante.

Nesse contexto, a Quinta da Boa Vista pode ser encarada como um local de memória da realeza brasileira onde seus pertences não são vistos, mas a sua presença é fortemente sentida. Todos que visitam o Palácio de São Cristóvão sentem que os monarcas brasileiros, seus filhos e netos ali viveram alegrias e tristezas, aclamações e isolamentos, e que o local tem uma carga de emotividade bem alta.

Em 2009, a fachada do Palácio foi restaurada e ficou belíssima. Apesar de ainda necessitar de inúmeros reparos internos e externos, a Quinta da Boa Vista é um dos locais mais aprazíveis da Cidade do Rio de Janeiro e vale muito a pena visitá-la.

10h30min – Visita ao antigo Museu do Primeiro Reinado — hoje, Museu da Moda.

Inaugurado em 12 de março de 1979, o museu é conhecido como “Casa da Marquesa de Santos” por ter sido a residência da favorita de D. Pedro I, Dona Domitila de Castro do Canto e Mello (1797-1867), de 1826 a 1829.

Domitila de Castro conhece D. Pedro ainda como Príncipe Regente, na fatídica viagem a São Paulo onde proclamaria o rompimento com Portugal (7 de setembro de 1822). Ela era casada com o militar Felício Pinto Coelho de Mendonça (1789–1833), de Vila Rica (Minas Gerais), mas separou-se do marido por maus tratos.

Em 1823 o imperador a instalou na rua Barão de Ubá, hoje bairro do Estácio, que foi a primeira residência de Domitila no Rio de Janeiro; no mesmo ano, ele adquire do médico e diplomata Theodoro Ferreira de Aguiar (1769-1827) um terreno com duas chácaras nos arredores do Palácio Imperial, e encarrega seu arquiteto particular, o francês Pierre Joseph Pézerat (1800-1872), de transformar uma das casas em um palacete, onde sua amante viveria cercada de luxo e requinte.

O próprio Arquiteto das Obras Nacionais, Pedro Alexandre Cravoé, assumiu o trabalho de erguer o palacete, que teve a decoração interna entregue aos melhores artistas da época — Francisco Pedro do Amaral (1790-1831), Zephyrin Ferrez (1797-1851) e Marc Ferrez (1788-1850) entre eles —, que se empenharam em ornar todas as dependências com pinturas murais, tetos em relevo, portas e janelas com bandeiras em forma de coração, assoalho em madeiras brasileiras trabalhadas, formando um conjunto harmonioso de grande valor artístico e arquitetônico. Da Quinta, D. Pedro podia apreciar a fachada interna do palacete, onde duas escadarias, em um elegante desenho de curvas sinuosas, conduzem a um agradável jardim, com um lago cercado de árvores frondosas.

Na casa foram gerados e nasceram os filhos bastardos que D. Pedro I legitimou: D. Isabel Maria de Alcantara Brasileira (1824-1898), Duquesa de Goiás e Condessa de Treuberg e Baronesa de Holzen pelo casamento; D. Pedro de Alcantara Brasileiro (1825-1826), falecido antes de completar um ano; D. Maria Isabel de Alcantara Brasileira (1827), que seria a Duquesa do Ceará, mas morreu com meses de idade, antes de ser oficializado o título e D. Maria Isabel de Alcantara Brasileira (1830-1896), a futura Condessa de Iguassu pelo casamento com Pedro Caldeira-Brandt (1814-1881).

Domitila foi titulada Viscondessa de Santos em 12 de outubro de 1825; no ano seguinte, na mesma data (aniversário do Imperador), foi elevada à condição de marquesa e nomeada primeira-dama da Imperatriz, a afronta final que acabou por provocar um câncer psicossomático em D. Leopoldina (1797-1826) — uma das mulheres mais amadas da História do Brasil que foi, no fim da vida, desprezada e humilhada por seu marido.

Em meados de 1829, semanas antes da chegada ao Brasil de sua segunda esposa, a Princesa Amelie de Leuchtenberg (1812-1873), D. Pedro I baniu a Marquesa de Santos para São Paulo, pois uma das cláusulas tácitas da negociação diplomática para o contrato nupcial era a de que a nova imperatriz-consorte não poderia, jamais, deparar-se com a antiga maitresse imperial.

Após o retorno a SP, D. Domitila volta a se casar, desta vez com o primo Raphael Tobias de Aguiar (1794-1857), importante líder do Partido Liberal paulista que lidera a Revolução de 1842, sendo proclamado presidente da Província contra as decisões da Corte do Rio de Janeiro. O Brigadeiro Tobias de Aguiar foi preso na Fortaleza da Laje, no Rio de Janeiro, sendo anistiado por D. Pedro II em 1844, e voltando para São Paulo. Ele e a Marquesa de Santos foram pais de seis filhos, dos quais descendem inúmeras linhagens da nobreza paulista.

O solar de São Cristóvão foi adquirido pelo Barão de Mauá em 1869 e depois vendido a Luiz de Souza Breves (1828-1910), Barão de Guararema, em 22 de abril de 1882. Dez anos mais tarde, a propriedade foi adquirida pelo famoso médico brasileiro Abel Parente. Em 1915, a Legação da República Oriental do Uruguai comprou o solar e se instalou nele.

Por fim, em 1938, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) tombou o prédio pelo seu inegável valor histórico. Em 1961, o Estado da Guanabara desapropriou a casa e sete anos depois, transformou-a em reitoria da Universidade do Estado da Guanabara (UEG), que passou a ser a UERJ em 1975. A UERJ cedeu o solar à FEMURJ em 1976, para a instalação do Museu do Primeiro Reinado.

O acervo principal do Museu do Primeiro Reinado é o próprio prédio, que mantém até a atualidade marcas da Missão Artística Francesa neste magnífico exemplar do estilo neoclássico do Rio de Janeiro.

Na década de 2010, o Governo do Estado do Rio de Janeiro transformou a casa em “Museu da Moda Brasileira”. Ver: http://www.funarj.rj.gov.br/espaco/casa-da-marquesa-museu-da-moda-brasileira/.

12h – Ida para o Centro Luiz Gonzaga de Tradições Nordestinas do Rio de Janeiro, em São Cristóvão, onde almoçaremos.

O nome do lugar é homenagem ao chamado “rei do Baião”, o músico brasileiro Luiz Gonzaga (1912-1989).

A chamada “Feira de São Cristóvão” é um aglomerado de microempresas de alimentação, dança e folclore do Nordeste brasileiro em pleno Rio de Janeiro.

Em 2003, o Prefeito do Rio de Janeiro, Prof. Cesar Epitácio Maia (*1945), implementou reformas dando conta de dignificar as barracas e os serviços prestados no local, vez que não havia o mínimo de estrutura organizacional para os feirantes trabalharem.

14h – Visita ao Estádio Jornalista Mario Filho, o célebre Estádio do Maracanã.

Considerado o “templo do Futebol brasileiro”, é o maior estádio do Brasil.

Inaugurado em 16 de junho de 1950, pelo Prefeito do Distrito Federal (Rio de Janeiro), Marechal Angelo Mendes de Moraes (1894-1990), tendo sido utilizado na Copa do Mundo de Futebol daquele ano, o Maracanã vem sendo palco de grandes momentos do futebol brasileiro e mundial, como o milésimo gol de Edson Arantes do Nascimento (*1940) — o Pelé —, finais do Campeonato Brasileiro e Carioca de Futebol, competições internacionais e partidas da Seleção Brasileira.

O estádio é o maior símbolo das XXI Olimpíadas (2016), sediadas no Rio de Janeiro.  Após diversas obras de modernização, a capacidade atual do estádio é de 78 mil espectadores.

15h – Ida para o bairro da Penha, onde visitaremos a Igreja da venerável Irmandade de Nossa Senhora da Penha de França.

No início do século XVII, o Capitão Baltazar de Abreu Cardoso subiu o Penhasco para ver as suas plantações e acabou sendo contemplado com um milagre – livrou-se de uma serpente que o atacaria. Em agradecimento a Nossa Senhora, construiu uma pequena capela, onde colocou uma imagem da Virgem. A devoção a Nossa Senhora da Penha foi se espalhando e, cada vez mais, o número de pessoas que visitam este lugar aumenta.

A escadaria, pela qual a igreja também é famosa, foi construída em 1817, talhada na própria pedra do penhasco, também em agradecimento de uma fiel por uma graça alcançada — são 382 degraus!

Em 15 de setembro de 1966, S.E.E.R. o Senhor D. Jaime Cardeal de Barros Câmara (1894-1971), Arcebispo de São Sebastião do Rio de Janeiro, elevou o templo sagrado de Nossa Senhora da Penha à categoria de Santuário Perpétuo. E no dia 31 de maio de 1981, seu sucessor, D. Eugênio de Araújo Cardeal Sales (*1920), atendendo aos desejos de Sua Santidade o Papa João Paulo II, elevou a Igreja de Nossa Senhora da Penha à categoria de Santuário Mariano da Arquidiocese.

Uma curiosidade histórica é que a Condessa de Paris, nascida D. Isabel de Orleans-e-Bragança (1911-2003), visitou o Santuário e subiu de joelhos suas escadas, na época da II Guerra Mundial (1939-1945), em orações e preces por seu marido, que lutava pela França na Legião dos Estrangeiros com o pseudônimo de “Henri Orliac”, vez que era impedido de estar no Exército Francês pelas leis de exílio e banimento dos dinastas franceses (1866).

Estão sendo realizados melhoramentos para atender aos devotos de Nossa Senhora da Penha, de forma a melhorar a infra-estrutura: mais banheiros, novo bondinho para transportar 500 pessoas por hora e um abrigo para os romeiros, assim como um restaurante panorâmico e uma praça de alimentação.

16h30min – Visita à Biblioteca Comunitária Tobias Barreto de Meneses

A Biblioteca é um projeto social do livreiro Evando dos Santos, que foi apoiado pela Senhora Ana Lucia Niemeyer de Medeiros, neta do Arquiteto Oscar Niemeyer.

O financiamento se deu pelo Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social com um belo projeto de Niemeyer.

O idealizador da biblioteca, Evando dos Santos, é um pedreiro nascido em Sergipe que só foi alfabetizado aos 18 anos. Ele fundou a Biblioteca em 1998, homenageando seu conterrâneo Tobias Barreto de Meneses (1839-1889), o célebre jurista, filósofo, poeta e germanista da chamada “Escola do Recife” que morreu doente e empobrecido, aos 50 anos.

Biblioteca Comunitária Tobias Barreto de Meneses

Rua Maestro Henrique Vogeler, 348
Vila da Penha
21.235-680 RIO DE JANEIRO _ RJ

17h30min – Fim do roteiro Nobilíssima Zona Norte.

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