Aristocrática Zona Sul

Este tour deseja que nossos visitantes conheçam parte dos prédios e construções que ilustres brasileiros ergueram ao longo dos séculos XVII, XVIII, XIX e XX, na zona sul da Cidade Maravilhosa.

9h – Encontro no Outeiro da Glória.

O melhor é ir de taxi, mas há estação do metrô (Glória) e um plano inclinado (elevador) na Praça Luiz de Camões, que leva ao Outeiro.

O bairro da Glória é o bucólico início da Zona Sul carioca. Nele está situado o mais famoso templo católico do Rio de Janeiro: a igreja de Nossa Senhora da Glória do Outeiro, da irmandade de mesmo nome.

O agrupamento de fiéis leigos devotados a Nossa Senhora se inicia por volta de 1671, quando um ermitão chamado Antonio Caminha estabelece um oratório com a imagem de madeira da Virgem da Glória, no Outeiro — palavra bem portuguesa que designa o “alto de um altar” e que no caso específico indica o cume de uma colina.

A Irmandade de Nossa Senhora da Glória do Outeiro foi canonicamente instituída a 10 de outubro de 1739, ano em que se concluiu a construção do templo, por ato provisional do Bispo do Rio de Janeiro, Dom Frei Antonio de Guadalupe (1672-1740), em resposta a uma petição dos Irmãos.

A igreja ganhou enorme prestígio quando da chegada da Corte Portuguesa, em 1808. A Família Real tinha especial predileção por ela. Em 1819, a Princesa Dona Maria da Glória — futura Dona Maria II de Portugal (1819-1853) — foi trazida por seu avô, D. João VI (1767-1826), para a cerimônia da consagração.

A partir de então todos os membros da realeza brasileira foram consagrados a Nossa Senhora da Glória do Outeiro.

Para conhecer sobre a irmandade e sua história, acesse: http://outeirodagloria.org.br/historia/historia-irmandade-cerqueira/

10h – Visita ao Palácio do Catete

Residência dos barões de Nova Friburgo e condes de São Clemente, convertida em sede oficial da Presidência da República do Brasil em 1897.

Planejado pelo arquiteto alemão Carl Friedrich Gustav Waehneldt para o rico proprietário de terras e escravos Antonio Clemente Pinto (1795-1869), nascido em Ovelha do Marão (Amarante, norte de Portugal).

A construção terminou oficialmente em 1866, porém as obras de acabamento prosseguiram ainda por mais de uma década.

Após o falecimento do barão e da baronesa de Nova Friburgo, o conde de São Clemente, filho mais novo do casal, vendeu o imóvel do Catete em 1889 para um grupo de investidores, que fundou a Companhia Grande Hotel Internacional. Este empreendimento, entretanto, não teve sucesso em transformar o palácio em um hotel de luxo.

Em 1896, o Presidente Prudente José de Moraes e Barros (1841-1902) adoeceu e, neste momento, assumiu o governo o Vice-Presidente, Manuel Vitorino Pereira (1853-1902), que fez adquirir o palácio e ali fez instalar a sede do governo. Oficialmente, o palácio foi sede do Governo Federal de 24 de fevereiro de 1897 a 1960, quando o Distrito Federal foi transferido para o Planalto Central do país e a nova capital nacional, Brasília, foi inaugurada.

Os jardins do Palácio constituem local privilegiado de lazer dos cariocas; foram projetados pelo paisagista francês Paul Villon (1841-1905), discípulo do diretor de Parques e Jardins da Casa Imperial do Brasil, Auguste François Marie Glaziou (1833-1906).

Atualmente, o Palácio do Catete abriga o Museu da República.

11h30min – Visita ao Museu do Folclore do Brasil,

que homenageia Edison Carneiro (1912-1972), um dos maiores folcloristas do país.

12h – Saída do Museu do Folclore e almoço.

13h – Passagem pelo Largo do Machado.

Localidade histórica do Rio de onde acedemos aos bairros de Laranjeiras e Cosme Velho. A Igreja Matriz de Nossa Senhora da Gloria do Largo do Machado — que lembra a igreja londrina Saint Martin-in-the-Fields — foi inaugurada por D. Pedro II, D. Thereza Christina e D. Isabel.

O projeto para a igreja é de 1842, de autoria do colonizador de Petrópolis — o major-engenheiro prussiano Julius Friedrich Koeller (1804-1847) — e do arquiteto francês Charles Philippe Garçon Rivière. O exterior, estritamente neoclássico, lembra a composição dos templos dedicados aos deuses da antiga Roma reabilitado pela Revolução Francesa conforme o espírito do iluminismo. O aspecto pagão mereceu críticas ao ser concluída a igreja, em 1872.

No mesmo Largo do Machado é importante notar o Colégio Estadual Amaro Cavalcanti, que já passou por diversas restaurações. O colégio é uma das “Escolas do Imperador”, ou seja, centros de ensino público fomentados por D. Pedro II com uma verba inicial que havia sido destinada a uma estátua equestre em sua homenagem, após a vitória do Brasil na Guerra do Paraguai (1864-1870).

D. Pedro II recusou a homenagem, ordenando que se erguessem escolas públicas com excelência no ensino e nas edificações. Algumas delas existem e funcionam até hoje como marco da rede municipal de Educação do Rio de Janeiro. O Colégio Amaro Cavalcanti, que se chamava originariamente “Escola da Freguesia de Nossa Senhora da Glória”, foi inaugurado pela Família Imperial em 10 de abril de 1875.

13h30min – Chegada à Estação Ferroviária do Corcovado, no Cosme Velho.

Inaugurada em 9 de outubro de 1884 por D. Pedro II, foi a primeira ferrovia eletrificada do Brasil. O caminho que leva à estátua do Cristo Redentor nasceu da paixão do Imperador pela paisagem local: do alto do morro aprecia-se uma fantástica visão da cidade. Ou seja, foi a primeira Estrada de Ferro construída no Brasil exclusivamente para fins turísticos. Dá para imaginar a emoção dos 31.885 passageiros transportados no ano seguinte ao início do funcionamento do trem ao se depararem com a vasta vegetação que acompanha os trilhos.

A ferrovia expõe para o visitante uma parte de nossa Mata Atlântica, infelizmente reduzida em 93% do tamanho que possuía em meados de 1500.

14h – Visita ao Cristo Redentor.

Inaugurada em 12 de outubro de 1931, a estátua de Nosso Senhor Jesus Cristo como Redentor do Gênero Humano é a maior estátua de art-deco do mundo e parece ser a maior imagem de Cristo já esculpida. É considerada uma das 7 maravilhas do mundo moderno. Pertence à Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro.

A estátua tem 39,6 metros de altura, incluindo o pedestal de 9,5 metros, e 30 metros de largura. Pesa 635 toneladas e está localizada no pico do Morro do Corcovado (a 700 metros), dentro do Parque Nacional da Floresta da Tijuca. É uma das maiores estátuas do mundo.

Muitos sites e reportagens na Internet divulgam a informação de que “a ideia de homenagear Jesus Cristo com a ereção de uma estátua no alto do Corcovado surge em 1859, com o sacerdote lazarista Pierre-Marie Boss, missionário belga.” Acrescentam que ele apresentou esta ideia a D. Isabel — que contava somente 13 anos à época e ainda sequer havia feito o juramento de Princesa Imperial, que só ocorreu em 29 de julho de 1860.

O IDII esclarece que há graves erros de diletantismo e falta de pesquisa em todo o emaranhado que constitui a história do belíssimo monumento, embora seja certo dizer que em 1888 a Regente recusou que se erguesse uma estátua sua, enquanto “Redentora”, justamente advogando que somente ao Sagrado Coração de Jesus se poderia oferecer esse preito.

Também é certo que após o lançamento da pedra-fundamental da estátua — em abril de 1922 —, as duas noras da Redentora, D. Elisabeth de Orleans-e-Bragança (1875-1951) e D. Maria Pia do Brasil (1878-1973) foram convidadas, no Centenário da Independência (setembro de 1922), a subirem ao Corcovado para uma pequena cerimônia que honrava a memória daquela que tanto rezou pela edificação desse símbolo.

Hoje o Cristo Redentor é indubitavelmente o símbolo do Rio de Janeiro e, pode-se dizer, do Brasil.

Acesse a página oficial do santuário carioca: https://cristoredentoroficial.com.br/.

15h30min – Saída da Estação Ferroviária do Corcovado em direção ao Jardim Botânico do Rio de Janeiro.

Observar-se, no caminho:

Praça José de Alencar, no Flamengo. Homenageia o maior romancista do Brasil do séc. XIX, José de Alencar (1829-1877), jurista, político e jornalista famoso nascido no Ceará.

Catedral Metodista do Rio de Janeiro. Estabelecida na década de 1870, é a sede da religião protestante metodista no Rio de Janeiro e no Brasil.

Praça São Salvador. Erguida nas terras de José Alexandre Carneiro Leão (1793-1863), Visconde de São Salvador de Campos, a praça é um recanto do bairro do Flamengo. Nela está situada a Escola Municipal Senador Corrêa, que homenageia a memória do Senador do Império Manoel Francisco Corrêa (1831-1905), um paranaense aficionado pela Educação, que fundou a Sociedade Promotora da Instrução, com vistas a educar milhares de crianças na Corte do Rio de Janeiro, na década de 1870.

Rua Pinheiro Machado e o Palácio Isabel, atualmente Palácio Guanabara. Residência oficial da Redentora no bairro de Laranjeiras, a construção inicial é de 1853 e pertencia ao empresário português José Machado Coelho, de quem a Família Imperial o adquiriu, para nele residirem a Princesa e o Príncipe Imperial consorte, após seu casamento, celebrado a 15 de outubro de 1864.

O Palácio Isabel pertenceu à Redentora até a proclamação da República (1889), quando foi confiscado pelo governo militar e transferido ao patrimônio da União.

Foi utilizado pelo Presidente Getulio Vargas (1882-1954) como residência oficial durante o Estado Novo [1937-1945].

A partir de 1946, passou a sediar a Prefeitura do Distrito Federal até 1960, ano da inauguração de Brasília. O palácio foi “doado” ao Governo do Estado da Guanabara pelo Presidente Ernesto Geisel (1907-1996), em 1975, para servir de sede ao novo Estado do Rio de Janeiro. O governador do Estado do Rio e sua família habitam o Palácio Laranjeiras, antiga residência suntuosa erguida pela família franco-brasileira Guinle e o Palácio Isabel — oficialmente designado como Palácio Guanabara — é utilizado como sede administrativa da Governadoria.

Na passagem pela Rua São Clemente, em Botafogo, notaremos algumas construções históricas, mormente a Fundação Casa de Ruy Barbosa, onde residiu o grande jurista baiano de 1893 a 1924. O palacete foi erguido em 1850 por Bernardo Casimiro de Freitas (1813 – 1894), Barão da Lagoa, titular português estabelecido no Rio de Janeiro.

16h30min- Visita ao Jardim Botânico.

Aclimatar as especiarias vindas das Índias Orientais: foi com este objetivo que, em 13 de junho de 1808, foi criado o Jardim de Aclimação pelo Regente D. João.

Encantado com a exuberância da natureza do lugar, aí D. João instalou o Jardim, que em 11 de outubro do mesmo ano, passou a Real Horto. Por um erro histórico acreditava-se que as primeiras plantas tinham sido trazidas do Jardim Gabrielle, de onde vieram muitas plantas, principalmente durante as guerras napoleônicas. Porém o Jardim Gabrielle era nas Guianas e as primeiras plantas que chegaram aqui vieram, na verdade, das Ilhas Maurício, do Jardim La Pamplemousse, por Luiz de Abreu Vieira e Silva, que as ofereceu a D. João. Entre elas, estava a Palma Mater

Aberto à visitação pública após 1822, o Jardim teve muitos visitantes ilustres: Albert Einstein, a Rainha Elizabeth e muitos outros. Vários naturalistas e administradores contribuíram para a trajetória do Jardim Botânico, como: Frei Leandro, Serpa Brandão, Candido Baptista de Oliveira, Custódio Serrão, Karl Glasl, João Barbosa Rodrigues, Pacheco Leão, Campos Porto, João Geraldo Kuhlmann e Liszt Vieira.

17h30min – Fim do roteiro Aristocrática Zona Sul.

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